terça-feira, 3 de novembro de 2015

Há páginas por toda a parte, burrões de tinta branca a simular o vazio das palavras que há meses não saiam. Julgava ter perdido a rota do abecedário que, letra a letra, em tempos, me levava à quietude. 0100010011 - era assim, um tal de código morse que me toldava, emancipando o que o meu humilde ser julgava serem pistas. E eu, que nunca fui boa a decifrar, fui cambaleando entre ruelas de incógnitas, de x em x, ganhando tempo ao tempo que nunca foi meu. A incerteza virou rotina, o corpo ganhava a certeza que a máquina interior comandaria, e que o eco das ruas responderia por mim. Era mentira, um jogo perdido à partida, o cheque inevitavelmente seria mate, o eco era ruído, a névoa não era neblina, as paredes ruíam, a máquina interior parava a cada soluço. A cidade nunca teve hipótese, porque a minha hipótese eras tu. 

Há páginas por toda a parte, burrões de tinta preta a simular o cheio das palavras que há meses me gritas. Cheios e vazios de um projecto sem vias de ser aprovado. Provado. Estou em código permanente, cegando-me da pessoa que fui antes. Antes. Antes de permitir que me esquiçasses o corpo de linhas ora biforcadas, ora paralelas que de tão próximas se poderiam rebater e intersectar num futuro, este sim, paralelo. Mas deixa, intersecções nunca foram mesmo o meu forte.

terça-feira, 24 de março de 2015

Queres saber a verdade?ninguém é feliz, ninguém tem pele feita de pétalas de rosa e raios de sol. Ninguém entende este universo. Diabo, provavelmente ninguém entende matemática tão bem quanto o diz. Um dia estás aqui e no dia seguinte já não. Deus? Eu aprendi mais sobre a vida a sair à rua e gritar à lua, queres saber honestamente qual é a verdade? Pena é só outra palavra para patético. Ouve música e mete-te em problemas, vê o pôr-do-sol de todos os telhados da cidade, tira fotografias, tira fotografias de beijos, parte corações, deixa que te partam o teu, faz inimigos, faz o tipo de erros que te fazem chorar toda a noite, faz o tipo de erros que fazem com que a tua vida avance. Perde a pessoa que nunca imaginaste ser possível perderes. Esquece-te de jantar e diz a alguém a primeira coisa que te vier à cabeça, sobre o penteado estranho do teu professor favorito, pára de fazer das coisas algo tão sério. Finge que escrever coisas no teu braço te faz especial, sente tudo, demais. Queres saber a verdade? Ninguém quer saber se o teu primeiro beijo foi com o irmão do teu melhor amigo se com o filho do presidente. Queres saber a verdade? Não existe aquele fantasiado sobre o que chamam de "pessoa certa". As pessoas magoam-te e mudam como a corrente dos oceanos, emigram como tempestades tropicais. Deixam-te sem nada. Deixam-te com tudo. Elas acendem e apagam como semáforos nas cidades , tu partilhas os teus medos com elas até se transformarem elas mesmas neles. Elas deixam-te com hematomas na tua pele. Queres saber a verdade? Ás vezes ficas melhor, outras nem tanto. Mas vai daí e encontras Deus numa loja de café às duas da manha, ou numa fenda de uma parede numa cidade estrangeira. Queres saber honestamente a verdade? Encontra-o.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Já não se escrevem cartas de amor... Não faz mal, eu envio-te uma mensagem. Se for grande demais eu envio-te um e-mail! E hei-de tirar selfies de todos os encontros que o meu nariz tem com o teu, de todos os cantos da casa de luto quando não estás. Hei-de beijar o ecrã do computador quando tivermos de falar por skype e hei-de adormecer à frente do ecrã (e à tua) só para poder acordar contigo. Hei-de te taggar em todas as frases que me fazem pensar em ti, hei-de fazer vídeo idiotas só para te fazer rir.  Hei-de te enviar emoji's no whatsapp de mil corações e caras apaixonadas, e noivos e noivas e flores. Vou fazer todas estas coisas até as pessoas dizerem que parecemos dois adolescentes patéticos e apaixonados. E venha o mundo dizer que isto não é amor, que eu bloqueio-o do facebook.

domingo, 27 de julho de 2014

Quero-te por egoísmo. É isso. Quero-te por egoísmo. Espero que me queiras pelo mesmo motivo.