Há páginas por toda a parte, burrões de tinta branca a simular o vazio das palavras que há meses não saiam. Julgava ter perdido a rota do abecedário que, letra a letra, em tempos, me levava à quietude. 0100010011 - era assim, um tal de código morse que me toldava, emancipando o que o meu humilde ser julgava serem pistas. E eu, que nunca fui boa a decifrar, fui cambaleando entre ruelas de incógnitas, de x em x, ganhando tempo ao tempo que nunca foi meu. A incerteza virou rotina, o corpo ganhava a certeza que a máquina interior comandaria, e que o eco das ruas responderia por mim. Era mentira, um jogo perdido à partida, o cheque inevitavelmente seria mate, o eco era ruído, a névoa não era neblina, as paredes ruíam, a máquina interior parava a cada soluço. A cidade nunca teve hipótese, porque a minha hipótese eras tu.
Há páginas por toda a parte, burrões de tinta preta a simular o cheio das palavras que há meses me gritas. Cheios e vazios de um projecto sem vias de ser aprovado. Provado. Estou em código permanente, cegando-me da pessoa que fui antes. Antes. Antes de permitir que me esquiçasses o corpo de linhas ora biforcadas, ora paralelas que de tão próximas se poderiam rebater e intersectar num futuro, este sim, paralelo. Mas deixa, intersecções nunca foram mesmo o meu forte.
1 comentário:
passou um ano...
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