segunda-feira, 13 de junho de 2011

Lembras-te quando todos os domingos do ano eram nossos? Eram minuciosamente iguais, com a rotina cumprida quase a contra-relógio, mas era eu e tu, tu e eu, e a mãe. Sinto falta desta hierarquização de parentescos, de "pai" sair tão naturalmente e com tanta frequência como "mãe". Sinto vontade do beijinho de boa noite que te pertencia sempre a ti antes de ir dormir. Lembras-te quando vinhas, à noite, apagar a luz do meu quarto e antes, carinhosamente, como só tu sabias fazer, aconchegavas-me, e muitas vezes nem percebias que fingia dormir para guardar aqueles momentos na minha memória. Nunca te disse, e tu também não tens tempo para reparar, quase deixei de comer pastéis de nata, e não, não é devido à "mania das dietas" que decerto te passou pela cabeça, é pelas recordações que me traz de ti. Lembras-te, foste tu que me ensinas-te a comer um pastel de nata com sumo, "metade do sumo, para metade do bolo" dizias-me tu repetidamente. E daquela vez em que te pedi para sair à noite e me impuseste estar em casa às onze da noite, preferi nem sequer sair de casa para não passar pela vergonha. Hoje, hoje dava tudo para me impores horários, para me queres contigo a determinada hora, dava tudo para dizer alto no meu grupo de amigos "o meu pai está à minha espera em casa, tenho que ir embora", di-lo-ia com tanto orgulho, juro.

Dou comigo a consumir cada minuto que tenho contigo, e quando o telefone toca sei sempre quando és tu, assim como sabia quando ias chegar a casa e segundos depois se ouvia o barulho da porta. Esse barulho ecoa como uma memória boa, agora restam os telefonemas. Obrigada por isso, podia ser pior. Gosto tanto de ti, honestamente, e é por gostar assim que nunca te direi estas palavras; é por gostar assim que saíste sem "quê's" nem "porquê's"; é por gostar assim que fica em mim um perturbador e vazio "se"... Se sentes a minha falta durante a semana, se te lembras de mim antes de adormeceres, se lamentas quando não podes estar comigo, se aguardas o telefonema de final de dia tanto quanto eu, se mudarias alguma coisa...

Eu amo-te, e tenho muito orgulho em ti. Não tenho orgulho nas tuas escolhas, mas tenho orgulho em ti. E se és feliz, eu só quero ser feliz contigo. : )

3 comentários:

filipaalexandra disse...

Em parte percebo-te bem (:

Bárbara, com amor disse...

<3

Madalena disse...

Lindo ;(