Perdeu-se. Gostava de conseguir escrever em 3.ª pessoa para não me comprometer, escrever sobre historias que não são minhas e perder-me num pretérito mais-que-perfeito qualquer. Gostava, mas não consigo. Vou escrever sem métrica ou etiqueta gramatical, sem acordo e com palavras à antiga. Vou escrever sujo, com letras borradas a quererem brutar de mim como de quem foge de uma sala que sufoca. Perdeu-se. "A meias" é a expressão que pretendo empregar para sempre. A meias como quem teme não chegar sozinha à prateleira dos doces - que como qualquer mulher sabe, é sempre a mais alta da cozinha -, como quem se convence que os conjuntos de toalhas saem mais em conta aos pares, ou que os lençóis são sempre para camas de casal. Perdeu-se. Perdeu-se o vislumbre de qualquer coisa "a meias". Perdeu-se a vontade de estar assim, presa entre uma malha de um passado mal rematado. quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Perdeu-se. Gostava de conseguir escrever em 3.ª pessoa para não me comprometer, escrever sobre historias que não são minhas e perder-me num pretérito mais-que-perfeito qualquer. Gostava, mas não consigo. Vou escrever sem métrica ou etiqueta gramatical, sem acordo e com palavras à antiga. Vou escrever sujo, com letras borradas a quererem brutar de mim como de quem foge de uma sala que sufoca. Perdeu-se. "A meias" é a expressão que pretendo empregar para sempre. A meias como quem teme não chegar sozinha à prateleira dos doces - que como qualquer mulher sabe, é sempre a mais alta da cozinha -, como quem se convence que os conjuntos de toalhas saem mais em conta aos pares, ou que os lençóis são sempre para camas de casal. Perdeu-se. Perdeu-se o vislumbre de qualquer coisa "a meias". Perdeu-se a vontade de estar assim, presa entre uma malha de um passado mal rematado.
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