E fazes como sempre. Toda a tua vida foi na base do ir embora com rastos confusos, sem migalhas que me levem a reencontrar-te. Reencontrar-te...sofres metamorfoses a cada ida, e eu, que nunca tive jeito para jogos do rato e do gato espero na gaiola e vou pondo ratoeiras que ao passo a que ando não sei se são para ti se para mim, que cegamente, me vou deixando cair. Tens fases, e eu sei as de cor. De cada vez que a roupa desaparece sei que o verão vai ser solitário e que voltarás com a setima onda, a mais forte. Mas não é das grandes temporadas, dos teus longos passeios que temo. Tens viagens repentinas e voltas sem avisar, não me dás tempo de fazer o luto nem de cair nas minhas proprias ratoeiras, não dás tempo para completar o meu ciclo, para que faça a limpeza do teu cheiro pelo meu corpo, das tuas palavras pelo meu coração, não me dás tempo de queimar os lençois e de cortar as fotografias pela casa, julgando apagar-te de mim. Não, não foste feito para estar numa gaiola como eu, e eu não fui feita para voar alto, e nos "entretantos" da vida eu quero cortar-te as asas e tu vais fugindo, fugindoo, fu gin do. Mas não importa porque tu voltas, e do alto da minha gaiola faço como sempre, vou acreditando no meu céu.
Sem comentários:
Enviar um comentário