Como
quem não suporta ter duas vidas, mas não lhe chega a tenacidade de ter
somente uma. É como ter um livro com um capitulo em falta, uma saga sem
continuação, é a breve insensatez de não saciar sabe-se lá o quê. E vais
andando, e às duas por três foges de ti mesmo, e não tens nem uma nem duas nem
três vidas, tens um multiplicar de contradições de caminhos que não percorres
por medo da solidão. Mas vai sempre haver um banco perdido algures no percurso
que magneticamente te obriga a sentar, e as estações passam, as roupas ficam
velhas, a tua barba cresce e o griguilar vai corromper o teu cérebro, tu já não
és tu, não tens mil vidas, nem sabes onde pertences.
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