Encontra uma rapariga que escreve.
Encontra uma rapariga que nunca use roupa completamente limpa, devido às manchas de café e de tinta derramada. Ela terá sempre imensos problemas com o seu armário, e o seu computador nunca será chato com tantas palavras, com tantos mundos que ela lá contem desorganizados. Ri-te. Ri-te quando ela te disser que se esqueceu de limpar o seu quarto, que as suas roupas estão perdidas por entre as pastas e, por isso, vai ter que levar mais tempo a ficar pronta, que os seus sapatos estão escondidos debaixo da montanha de canetas Bic partidas.
Beija uma rapariga que escreve debaixo de um poste, enquanto chove. Diz-lhe a tua definição de amor.
Encontra uma rapariga que escreve. Saberás que ela tem sentido de humor, um enorme sentido de empatia e bondade, e inventará mundos e universos para ti. Ela é a única com leves sombras debaixo das pálpebras, com cheiro a café, coca-cola e chá de jasmim verde. Conseguem vê-la debruçada sobre o seu bloco de notas. Essa é a escritora. Com os seus dedos manchados de carvão ocasionalmente, com tinta que irá viajar entre as suas mãos quando entrelaçar os dedos com os dela. Ela nunca vai parar, escrevendo aventuras, de traidores e heróis. As trevas e a luz. Medo e amor. Essa é a escritora. Ela nunca conseguirá resistir a encher uma página em branco com palavras, qualquer que seja a cor da página.
Encontra uma rapariga que lê enquanto espera pelo seu café ou o seu chá. Ela é tranquila, enquanto te faz ser trespassado por um oceano e te divide em dois enquanto procura pelas palavras perfeitas. E se tentares dar uma espreitadela à sua chávena de café ou de chá, irás perceber que esfriou e ela nem dará conta, está embrenhada nas suas palavras, no seu mundo. Ela já o terá esquecido. Porém, caso ela levante a cabeça, oferece-te para lhe comprar outra chávena de café. Ou de chá. Ela irá compensar-te com histórias. Se ela fechar o seu computador, dá-lhe a tua critica sobre Dom Quixote, oferece-lhe as tuas melhores teorias sobre Saramago. Descreve-lhe os teus personagens, os teus sonhos, e pergunta-lhe se quer ser a primeira a ler o teu primeiro romance.
É difícil encontrar uma rapariga que escreve. Mas é paciente. Dá-lhe livros pelo seu aniversário, bonitos blocos de notas pelo Natal, moleskins e marcadores e muitos, muitos livros. Dá-lhe o dom da palavra, os escritores são pessoas faladoras, e são bastante detalhados nos seus argumentos. Deixa-a que saiba que tu estás atrás dela a cada passo dado, entre a ficção e a realidade.
Ela vai dar-te uma chance.
Não lhe mintas. Ela vai entender a sintaxe por detrás das tuas palavras. Ela vai decepcionar-se com as tuas mentiras, mas uma rapariga que escreva vai entender. Ela vai entender que às vezes até mesmo os maiores heróis falham, e que finais felizes levam tempo, tanto na ficção como na realidade. Ela é realista. Uma rapariga que escreve não é impaciente, ela vai entender as tuas falhas. Ela vai usufruir, porque uma rapariga que escreve percebe os enredos. Ela vai entender que finais acontecem para o melhor ou para o pior.
Uma rapariga que escreve não vai esperar que sejas perfeito. As suas narrativas são ricas, as suas personagens são multifacetadas por causa de falhas. Ela vai entender que um bom livro não tem personagens perfeitas, vilões e falhas trágicas são o "sal" dos livros. Ela vai entender o problema, porque apimenta a sua história. Nenhum autor quer heróis invencíveis, uma rapariga que escreve vai entender que és somente humano.
Se encontrares uma rapariga que escreve, mantém-la perto. Se a encontrares às duas da manhã, digitando furiosamente, com uma luz a iluminar a sua testa franzida, coloca um cobertor suavemente sobre os seus ombros para ela não arrefecer. Faz-lhe uma chávena de chá, e senta-te com ela. Podes até perdê-la para o seu mundo por alguns momentos, mas ela vai voltar para ti. Vocês dois apenas iluminados pelo ecrã do computador, são invencíveis na escuridão.
Ela é a tua Shahrazad. Quando estiveres com medo do escuro, ela irá guiar-te. Ela levar-te-á para longe num balão de ar quente, e vais apaixonar-te. E tu sabes, ela é travessa, mas é calma e, por isso, quando tiver que matar uma personagem adorável, e chorar, abraça-a e diz-lhe que vai ficar tudo bem.
Tu irás sorrir com todas as partes do teu corpo quando ela falar milhentas coisas num único segundo, e o teu coração irá acelerar quando ela segurar na tua mão e escrever histórias sobre a vossa vida juntos. Ela é adorável, lembra-te disso, quando ela escolher nomes terríveis para os vossos filhos. Tu vais ficar bem, porque uma rapariga que escreve vai contar histórias fantásticas aos miúdos.
Essa é a melhor parte sobre uma rapariga que escreve. Ela tem imaginação e tem coragem, e isso é suficiente. Ela irá salvar-te dos oceanos dos teus sonhos, e em troca, ela será a tua catarse, o teu 11:11. Ela será o teu cavaleiro, e se tornará o teu mundo, na curva do seu sorriso, na avelã do meio da covinha que existe no seu rosto. As palavras que saem dela, uma torrente, uma onda, um oceano, um crescer de emoções que te deixarão sem fôlego se encontrares uma rapariga que escreve.
Talvez ela até não seja a melhor a usar a gramática, mas o que importa? Encontra uma rapariga que escreve, porque tu mereces. Ela é inteligente, cria empatia, é enigmática, e ás vezes, é adorável. Ela tem uma vida colorida vivendo em Nova Iorque ou numa pequena cabana. Encontra uma rapariga que escreve porque uma rapariga que escreve lê.
Uma rapariga que escreve entende a realidade. Ela irá ser irritante às vezes, e talvez a odeies por momentos. Às vezes, ela também te irá odiar. Mas uma rapariga que escreve entende a natureza humana, e vai entender que podes também ser fraco. Ela não vai sair a apanhar o comboio da meia noite da primeira vez que as coisas azedarem. Ela vai entender que a vida real não é uma história, porque, enquanto ela trabalha em histórias, ela vive na realidade.
Encontra e sobretudo fica com uma rapariga que escreve. Não há nada melhor que uma rapariga que escreve.

2 comentários:
que lindo, que linda
oh que fofo
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