e vês, e repensas e analisas e não sabes que mais fazer nem pensar. existe um fogo que te consome e quando achas que o vento vai finalmente surgir, e a água caí e te sentes leve e solta e segura a uma rocha do mar, o fogo acalma, mas ficam as cinzas que te vão cegando e te enchem de poeiras más que te destroem. tu conheces esse sentimento, já o sentiste antes, mas o que julgavas nunca mais vir a reaparecer em ti, porque a tua vida mudou e os ares mudaram, voltou. as cinzas erguem-se e vês diante dos olhos, longe das tuas mãos suadas, a história a repetir-se, e estás novamente doente e preza a alguém que te corrói a alma e te enche de fluidos salgados que te deixam a visão turva. Não. Não são as cinzas. És tu mesma, e esse corpo não comandado que treme sem razão, que se encolhe e forma uma crosta. És tu mesma, que não tens voz suficiente para afastar os fantasmas antigos, nem a coragem, nem a destreza para fugir à natureza do que és. Era desta. Tinhas mudado.
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